terça-feira, 22 de julho de 2014


Você dançou na boquinha da garrafa, segurou o tchan e era mestre em passar por debaixo da cordinha.
Você deu uma chinelada na barata dela e colocou o carro na garagem da vizinha. Você dançou a dança da motinha, enquanto as popozuda perdiam a linha, passou cerol na mão e jurava que o Jonathan da nova geração seria nosso novo Cazuza.

Você achava o máximo curtir uma Festa no Apê e delirava com a Ragatanga.

Você queria tchu e queria tcha, jurava que Camaro Amarelo era um carro de gente elegante e "Ai se eu te pego" foi a cantada mais refinada que já usou.
 

 Você contava pro Garçom, ali naquela mesa de bar, que vivia entre Tapas e Beijos e ia afogar as mágoas na Boate Azul cantando: "Quem dera ser um peixe...".
Você dançou Gangnam Style, Barbie Girl, Não se Reprima, Eguinha Pocotó, Vai Lacraia, Macarena, Mexe a Cadeira, Maionese, Ilha do Amor Madagascar e pedia com carinho: "Abre a Rodrinha meu amor".
 

Você não sabia a diferença entre o charme e o funk, dizia que a maior felicidade era andar tranquilamente na favela onde nasceu.
Você até dava aula de lambada ao som de Chorando se Foi, Adocica, Preta fala pra mim e Me Chama que eu Vou.
 

Você se dizia sambista de raiz, mas achava que o Pimpolho era um cara bem legal, pena que não podia ver mulher.
Você, num passado, não muito distante, tomava Whisky a Go-Go e perguntava "do you wanna dance?".
Meu amigo, tinha um abajur cor de carne no quarto da Menina Veneno e você chama seu amor de Ursinho Blau-Blau.

Enquanto todos os pseudo-intelectuais, de gosto refinado, ficam criticando Naldos, Anittas, Lepos Lepos e outras porquices afins, que tal respeitar o mal gosto alheio e aceitar uma das maiores verdades universais jamais ditas:

"Música ruim é que nem peido. Fica quietinho e não faz muito barulho, que o fedor logo passa".

Falei.

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